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| Ebenezer Scrooge recebe algumas visitas sinistras à noite antes de decidir mudar de vida |
Apenas recentemente tenho começado os esforços para fazer desse espírito mais do que meramente palavras. Apesar de que uma postura sensível e generosa com o semelhante deva, teoricamente, ser exercício diário durante todo o ano, o simbolismo do Natal faz dele o momento perfeito para relembrar a importância de se abrir para o próximo. Nessa minha jornada pela espiritualidade a forma mais tocante de expressar essa lembrança que tive contato foi em Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Li o livro a pouco tempo, mas a adaptação da Disney, Um Conto de Natal do Mickey, é uma recordação bem marcante e querida da minha infância.
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| Tio Patinhas em sua melhor forma como o autêntico e sovina "Uncle S |
A história é um conto de transformação, de metamorfose, como está na raiz da proposta desse blog. O protagonista passa do sovina inveterado e carrancudo do início do livro ao senhor afável e bondoso do final atravessando no meio a incrível experiência oferecida pelos espíritos. A viagem pelo presente, passado e futuro o leva a descobrir o verdadeiro brilho e beleza do Natal – que é na verdade o brilho do coração das pessoas – bem como as sombras das atitudes egocêntricas que vinha praticando até então. Por mostrar os dois lados o conto chega a ser sombrio algumas vezes ao evidenciar, por exemplo, as perspectivas de cruel isolamento a que Scrooge estava destinado caso insistisse em sua postura original.
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| Espíritos despertam Scrooge para o verdadeiro sentido do Natal |
Deus nos livre disso nesta noite mágica! Em vez disso, alegria e confraternização! Como presente para vocês compartilho três trechos do livro com a forte recomendação de que o leiam por inteiro – e assistam o desenho.
Um Feliz Natal a todos!
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1 –- Feliz Natal, titio! Que Deus o abençoe! – exclamou a voz alegre do sobrinho de Scrooge, tão repentinamente que parecia até ter chegado antes de seu dono.
- Bah! – disse Scrooge – Que bobagem! –
(...)
- Bobagem o natal, titio? – disse o sobrinho – O senhor está brincando!?
- Claro que não! – replicou Scrooge – Que motivos você tem para ser feliz, sendo pobre desse jeito?
- Se for por isso que motivos tem o senhor para estar tão mal-humorado, que razões para estar tão ranzinza, sendo rico desse jeito? – respondeu o sobrinho, alegremente.
Scrooge, sem encontrar resposta melhor, disse apenas:
- Ora! Que bobagem!
- Calma, titio, não se irrite por tão pouco.
- E como posso não me irritar, em um mundo cheio de imbecis? – exclamou o tio. – Ora, Feliz Natal! Basta de Feliz Natal! O que é o natal para você, se não a época de não ter dinheiro para pagar suas contas? A época de se dar conta de que está um ano mais velho e nem uma hora mais rico; o momento para fazer o balanço nos livros de contabilidade e ver que cada item, nestes doze últimos meses, só lhe trouxe prejuízo? Por mim – continuou Scrooge, indignado -, cada idiota que saísse por aí desejando Feliz Natal deveria ser fervido, misturado junto com seu bolo de Natal e enterrado com um galho de pinheirinho no coração, isso sim!
- Titio!... – suplicou o sobrinho.
- Meu sobrinho! – respondeu o tio, acidamente. – passe o Natal como bem entender e deixe que eu passe o meu à minha maneira.
- Como, a sua maneira? O senhor não o passa de maneira alguma!
- Então me deixe em paz e tire dele um bom proveito. O mesmo proveito que sempre tirou! – disse Scrooge.
- Muitas coisas boas me aconteceram sem que eu tirasse proveito algum, e o Natal é uma delas – replicou o sobrinho – Apesar de ser uma festa sagrada, não a vejo somente assim, mas também como uma época muito agradável: uma época de gentileza, perdão, caridade e alegria. A única que conheço, no longo calendário do ano, na qual homens e mulheres parecem abrir de boa vontade seus corações fechados e pensar nas pessoas mais pobres como seus legítimos companheiros na viagem até o túmulo, e não como uma raça estranha, viajando para outro lugar. Por isso, titio, embora o Natal nunca tenha colocado uma moeda de ouro ou de prata no meu bolso, ainda acho que ele me fez - e fará, ainda – muito bem. E que Deus o abençoe!
2 –
Bob Cratchit apoiou o cotovelo sobre a cristaleira, onde ficavam guardados todos os “cristais” da família: dois copos e uma caneca sem asa. Bob serviu-se deles como se fossem de ouro, enchendo-os diante de olhares radiantes, enquanto, no fogo, as castanhas crepitavam e rachavam ruidosamente. Então, ergueu um brinde:
-Feliz Natal para todos nós, meus queridos! Que Deus nos abençoe!
A família inteira repetiu suas palavras, atrasando-se apenas o pequeno Tim, que exclamou sozinho:
- Deus abençoe cada um de nós!
Ele estava sentado no banquinho ao lado do pai. Bob segurava suas mãozinhas pálidas, e é evidente que amava aquela criança e que queria ter sempre ao seu lado, temendo muito que um dia a levassem embora.
- Espírito – disse Scrooge, com um interesse que nunca antes tinha sentido - ,diga-me se o pequeno Tim vai sobreviver.
- Vejo uma cadeira vazia no canto daquela lareira – disse o fantasma – e uma muleta sem dono guardada com muito carinho. Se estas sombras permanecerem inalteradas no futuro, a criança morrerá.
- Não, não! – disse Scrooge – Ah, não, Espírito bom! Prometa-me que ele será poupado!
- Se estas sombras permanecerem inalteradas no futuro – repetiu o fantasma – nenhum outro ser da minha raça a encontrará aqui. Mas pouco importa, se é para morrer que morra logo, assim diminui o excesso de população!
Scrooge baixou a cabeça ao ouvir suas próprias palavras repetidas pelo fantasma e sentiu-se cheio de arrependimento e remorso.
- Homem, se o seu coração for humano e não de pedra, esqueça essas palavras cheias de maldade até descobrir o que é “excesso” e onde ele está. Você acha que vai decidir quem deve viver e quem deve morrer? É possível que você mereça menos viver do que milhões de seres iguais ao filho desse pobre homem. Santo Deus!, é insuportável ter que ouvir o inseto na folha decidir que há vidas demais entre seus irmãos esfomeados sobre o pó!
3 –
Um Feliz Natal, Bob! – disse Scrooge de um modo tão sincero que afastou qualquer dúvida, enquanto dava tapinha nas suas costas. – Um Feliz Natal, meu bom companheiro, mais feliz do que todos os que lhe dei estes anos todos! Vou lhe dar um aumento, sim, além de dar uma ajuda a sua esforçada família! Falaremos sobre isso a noite, sentados diante de um belo ponche natalino! Vamos, acenda logo o fogareiro e vá comprar mais um balde repleto de carvão, Bob Cratchit!
Scrooge fez tudo isso e ainda muitíssimo mais. Para o pequenino Tim – que não morreu – Scrooge acabou tornando-se um segundo pai. Também se tornou um bom amigo, um bom chefe e um bom homem, o melhor que a cidade já conhecera ou que qualquer outra cidade poderia ter conhecido.
Muita gente riu de sua mudança, mas ele deixou que rissem, pois se tornara sábio o bastante para entender que nunca algo de bom acontece no mundo sem que alguém encontre nisso motivo de riso ou zombaria. Como sabia que essas pessoas permaneceriam cegas para bondade, preferiu velas enrugar os olhos num sorriso de gozação do que vê-las demonstrarem sua enfermidade de uma maneira menos atraente. Seu coração transbordava de felicidade, e isso era o bastante.
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