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| Foto: Eggybird |
Considero arriscado o ato de interpretar as motivações e sentimentos que nos movem na infância depois de crescido. A tarefa pode escorregar nos anseios e conceitos da vida adulta resultando numa projeção irreal do que foram os primeiros anos da nossa vida. Levando em conta isso, digo que o que me conquistou no filme foi uma ligação possível entre homem e natureza. A amizade do protagonista com o lobo seria uma forma de estabelecer uma conexão com o lado selvagem e indomável do homem – tão primordial quanto puro. Ao mesmo tempo, fazia-se uma ligação que preservava o que havia de mais belo e elevado nos laços afetivos entre seres humanos.
Para os Pawnee e outros índios americanos, contudo, uma ligação profunda, talvez de um modo distinto daquele que eu imaginava, acontecia com os lobos. A julgar pelo comportamento de emulação das habilidades do animal que cultivavam isso poderia representar, sim, uma espécie de conexão com a natureza como uma forma de tomar emprestados a energia, o vigor e a virilidade necessários a sobrevivência. Seus mitos sugerem também que o lobo era responsável por guiá-los ao mundo espiritual. Somaria, portanto, as características de professor e de guia.
O lobo exerce um grande fascínio em muitas das tribos nativo americanas. Esfregar pele de lobo em flechas traz sorte nas caçadas para os Cheyennes. Os Nunamiut do norte do Alaska e os Naskapi do Labrador respeitavam as habilidades de caça dos lobos e também procuram imitá-las. Como era de se esperar, lobos são usualmente referenciados por tribos que sobrevivem da caça, mas ignorados por aqueles que vivem da agricultura. A característica de professor é encontrada nas lendas de outras tribos, como as que habitavam a região noroeste dos Estados Unidos.
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| Foto: Gerárd Von Drunen |
Em uma dessas histórias, contado por tribos da costa oeste dos Estados Unidos, um lobo tomou uma jovem índia como esposa, que acabou vivendo por anos entre os lobos. Depois de muito tempo consegue convencer o marido a visitar a antiga família e este aproveita para ensiná-la o Ritual do Lobo. De volta à tribo, ela transmite a cerimônia aos outros índios, que passam a executá-la como forma de incorporar a força dos lobos. Uma história parecida também é contada entra os Dakota, das planícies centrais.
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- Olá, irmão Lobo – disse o Rato Saltador.Os olhos do lobo tornaram-se atentos e brilharam.
- Lobo! Lobo! Sim, isto é o que sou, eu sou um lobo! – mas sua mente voltou a ficar confusa, e novamente ele se sentou em silêncio, completamente esquecido de quem era.
E aqui voltamos à História do Rato Saltador. Todo o significado emprestado aos lobos pelos índios americanos me leva a crer que aqui o animal representa a mente – em especial em seus aspectos mais intuitivos. É a mente, clara e límpida, que nos conduz para novos conhecimentos e, por meio da compreensão, nos guia por entre os desafios da vida para o ponto mais elevado em termos materiais, éticos ou espirituais. Confusa, ela estanca em pensamentos inúteis e fragmentados e torna-se incapaz de reconhecer a própria essência. Trocando em miúdos, o sacrifício do Rato desperta a mente antes perdida para que o conduza, por fim, ao destino final da jornada...
Fonte:
Caninos Brancos, direção de Randall Kleiser, 1991.
http://www.sacred-texts.com/nam/sioux.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Wolves_in_folklore,_religion_and_mythology
http://home.online.no/~arnfin/native/lore/leg113.htm

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Assim vemos que a mitologia indígena realmente não deve nada as mitologias mais conhecidas e tradicionais... E todas elas se unem no xamanismo, ou na experiência religiosa ancestral.
ResponderExcluirA mente pode ser um lobo feroz, ou domesticado :)
Abs
raph
Grato, Raph! É essa ideia do lobo na História do Rato Saltador, acredito que os xamãs sabiam das coisas quando contavam essas lendas.
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